Tenha a gentileza e a ética ao reproduzir os textos originais deste blog ou de qualquer outro, colocar claramente a fonte de onde foi retirado, no início ou na apresentação do texto com um link direto para o texto original. Poucos criam enquanto o restante todo copia.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Desordens dos circuitos neuronais do autismo são reversíveis, diz um novo estudo:


Esta notícia é tão maravilhosa, renova tanto as minhas esperanças, que não poderia deixar de traduzi-la e compartilhá-la.
Reforça também a minha opinião de manter uma dieta mínima em glutamato para autistas, mesmo que por enquanto estudos e médicos digam que não tem nada a ver.
Pra mim faz todo o sentido e tem ajudado sim.

Redes sinápticas em cérebro de roedores de autismo. (Crédito: Stephane Baudouin) 


Tradução Claudia Marcelino.

Science Daily (14 de setembro de 2012) - As pessoas com autismo sofrem de um transtorno invasivo do desenvolvimento do cérebro, que se torna evidente na primeira infância. Peter Scheiffele e Kaspar Vogt, professores do Bio centro da Universidade de Basel, identificaram uma disfunção específica em circuitos neuronais que é causada pelo autismo. Na revista Science, os cientistas também relatam sobre o seu sucesso em reverter essas mudanças neuronais. Estas descobertas são um passo importante no desenvolvimento de medicamentos para o tratamento para o autismo.

Segundo estimativas atuais, cerca de um por cento de todas as crianças desenvolvem um transtorno do espectro autista. Indivíduos com autismo podem apresentar comportamento social prejudicado, padrões rígidos de comportamento e desenvolvimento da fala limitado. O autismo é um distúrbio hereditário de desenvolvimento do cérebro. Um fator de risco principal para o desenvolvimento de autismo são inúmeras mutações em mais de 300 genes que foram identificados, incluindo o gene neuroligina-3, que está envolvido na formação de sinapses, a junção de contato entre as células nervosas.

A perda da neuroligina-3 interfere com a transmissão do sinal neuronal.
As consequências da perda de neuroligina-3 podem ser estudadas em modelos animais. Camundongos sem o gene para a neuroligina-3 desenvolvem padrões comportamentais que refletem aspectos importantes observados no autismo. Em colaboração com o laboratório Roche grupos de pesquisa da Universidade de Basileia já identificaram um defeito no sinal de transmissão sináptica que interfere com a função e plasticidade dos circuitos neuronais.
Estes efeitos negativos são associados com o aumento da produção de um receptor de glutamato neuronal específico, o qual modula a transmissão de sinais entre os neurônios.
Um excesso desses receptores de glutamato inibe a adaptação do sinal de transmissão sináptica durante o processo de aprendizagem, assim perturbando o desenvolvimento e função do cérebro, a longo prazo.

Da maior importância é a constatação de que a impossibilidade de desenvolvimento do circuito neuronal no cérebro é reversível. 

Quando os cientistas reativaram a produção de neuroligina-3 em ratinhos, as células nervosas reduziram a produção de receptores de glutamato para um nível normal e os defeitos estruturais no cérebro típico para o autismo desapareceram. Assim, estes receptores do glutamato podem ser um alvo farmacológico adequado, a fim de parar a desordem de desenvolvimento do autismo, ou mesmo inverter isto.

Visão para o futuro: Medicação para o autismo:

O autismo atualmente não pode ser curado. Atualmente, apenas os sintomas da doença podem ser aliviados por meio de terapia comportamental e outros tratamentos. Uma nova abordagem para o tratamento, no entanto, foi descoberta por meio dos resultados obtidos neste estudo. Em um dos projetos apoiados pela União Europeia, EU-Aims, os grupos de pesquisa da Biozentrum estão trabalhando em colaboração com a Roche e outros parceiros na indústria sobre como aplicar os antagonistas dos receptores de glutamato para o tratamento do autismo e esperança, de que, no futuro, esta desordem possa ser tratada com sucesso em crianças e adultos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Terra Diatomácea para a recuperação metabólica:

Por Claudia Marcelino.

Já falei aqui no blog sobre as maravilhas das argilas para a limpeza do intestino e do trato digestivo e os benefícios que este feito pode trazer para a nossa saúde.
Quem se interessa por meios naturais para o tratamento do autismo, sempre ouvirá sobre o impacto de fungos, parasitas, leveduras e vermes sobre o sistema imunológico e a qualidade de vida de autistas.

A pouco tempo na constante troca de informações de pais em grupos de discussão, conheci a terra diatomácea - Diatomaceous Earth, ou simplesmente: DE.

Terra diatomácea consiste de restos fossilizados de diatomáceas, um tipo de alga unicelular de carapaça dura, que é moída e transformada em um pó tão fino quanto um talco e de coloração off white. Estas diatomáceas fossilizadas são de fontes de água doce e salgada. Os depósitos de água doce são as puras o suficiente para o consumo humano.

A terra diatomácea para consumo interno, cuidado, pois, também há a de uso industrial, consiste de 85% de sílica amorfa e cerca de 20 minerais.
Sílica desempenha um papel importante em muitas funções do corpo e tem uma relação direta com a absorção de minerais como o cálcio e o fósforo.

Como a terra diatomácea trabalha em nosso corpo?



1. Como vocês podem ver na imagem acima de partículas de DE aumentadas 7000 vezes, elas são como um cilindro cheio de buracos. Este cilindro tem uma carga negativa muito forte. Quando estes milhões de cilindros se movem através do estômago e trato digestivo, atraem e absorvem as bactérias, fungos, protozoários, vírus, endotoxinas, pesticidas, e resíduos de drogas, E-Coli, e os metais pesados. Estes agentes são presos no interior do cilindro e excretados para fora do corpo. Além disso, os parasitas maiores, vermes, que estejam no estômago ou do trato digestivo são "cortados" e mortos pelas bordas afiadas da DE.
Todas estas atividades resultam em um corpo muito mais saudável, com menos doença.

2. DE é muito dura. Os diamantes tem uma escala de dureza 9, DE é um 7.
Isto é muito importante, porque, quando os milhões de cilindros minúsculos rígidos e afiados de DE passam através dos intestinos delgado e grosso, eles "limpam" as paredes (Nota: sem prejudicar a parede intestinal). Depois de apenas alguns meses tomando a terra diatomácea, a parede do intestino não é mais revestida com muco e leveduras!
Assim, a DE ajuda a promover movimentos intestinais regulares e um cólon saudável. Um cólon limpo e saudável previne pólipos, câncer, úlceras e desintoxicação contínua do corpo.
 Um cólon, revestido de toxinas não permite muitos nutrientes da nossa alimentação serem devidamente absorvidos.



3. Uma pequena quantidade de terra de diatomácea de grau alimentar é absorvida na corrente sanguínea. Quando estas partículas se movem pelo corpo, limpam os vasos sanguíneos e também destroem gorduras ruins, melhorando assim a pressão arterial e os níveis de colesterol.

4. O maior e melhor efeito da DE em geral seria o seu efeito vermífugo, eliminando vermes de forma natural sem os efeitos colaterais das medicações, podendo ser consumida por crianças, gestantes e até animais domésticos e usando-a de forma contínua para ação preventiva.

Outro fator interessante de uso da terra diatomácea é que ela é um pesticida natural sem risco de intoxicação para o tratamento de pragas domiciliares como: piolhos, carrapatos, pulgas e ácaros.
Nesta época de alternativas ecologicamente corretas, é uma excelente alternativa aos produtos químicos tão fortes e que provocam tantos efeitos colaterais.

Eu e meu filho temos tomado a DE a aproximadamente um mês, todos os dias, 1 colher de chá misturada em água, 2 vezes ao dia, uma pela manhã, uma a noite.
Pela manhã adicionamos também a argila verde.
Tenho notado as fezes mais macias e nas primeiras semanas percebi restos de vermes nas minhas fezes sem nenhuma análise mais profunda.
Certamente é uma excelente opção de desintoxicação.

Maiores informações:

http://www.earthworkshealth.com/How-Diatomaceous-Earth-Works.php

http://www.naturalnews.com/030875_diatomaceous_earth_supplement.html

http://wolfcreekranch1.tripod.com/buy_diatomaceous_earth.html

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Oxitocina e o Cérebro Social no Autismo:



Por Claudia Marcelino.

O uso da oxitocina para o tratamento do autismo não é uma novidade para quem acompanha as notícias relacionadas ao transtorno.
O burburinho nos grupos de discussão foi grande em 2010 (embora o início das pesquisas data de 1998) quando foi divulgado um estudo feito por um grupo de cientistas avaliando o desempenho social de 13 voluntários com autismo de alto funcionamento através de um jogo no computador. Como foi feita esta pesquisa está bem descrito neste link.

Confesso que na época não tive o mínimo interesse no assunto. Por quê?

Repensando em por que esse assunto passou sem me chamar a atenção, descobri que o fato de ter sido feito com autistas de alto funcionamento foi o que mais me bloqueou: não é a minha realidade, meu filho é autista clássico e sofremos com tantos sintomas que a meu ver eram mais urgentes, como: hiperatividade, agitação vocal, estereotipias... do que um melhor desempenho social, pensava. Até porque, eu não tinha entendido no quê a oxcitocina mexia para melhorar este desempenho social.

Mas agora a oxcitocina voltou aos círculos de discussões com outro estudo duplo-cego (utilizando a droga e um placebo) feito pela Universidade de Yale, com um grupo bem maior de pacientes, com e sem alto funcionamento e de várias idades.
Aliado a isso, passo por um momento de descoberta com meu filho: de uns tempos para cá, temos percebido (família e terapeutas) que ele está mais presente, mais sociável, com respostas verbais e em ações, mais rápidas.
E como isso aconteceu? O que mudou?
Então percebi que o seu processamento cerebral está melhor. Só não entendia o por quê disso estar acontecendo.

Aí...
A poucos dias numa troca de mensagens em um grupo americano, uma mãe falou em "Auditory Processing Delay" - Atraso no processamento auditivo: eles escutam, mas demoram a processar a informação ouvida, isto quando processam. E este processo leva a demora da resposta, impactando logicamente o seu desempenho social. Então consegui dar nome à melhora vista em meu filho: ele melhorou neste processamento auditivo.
Como? Eu não sei :) Fazemos vários tratamentos ao mesmo tempo, só sei que melhorou e não foi com a oxitocina, pois não a usamos ainda.

Mas... lendo sobre a oxitocina e o novo estudo apresentado na IMFAR - International Meeting For Autism Research, me parece que são nestas sutilezas  de coisas aparentemente sem importância para as habilidades sociais, que a oxitocina mexe.

Este estudo em larga escala mais recente de Yale, feito com pacientes entre 7 e 18 anos, ainda está em andamento e não foi publicado, mas os resultados preliminares tem sido esperançosos não para uma cura, mas para um melhor desempenho do autista contribuindo com a sua qualidade de vida.
No estudo eles dão uma única dose de oxitocina em spray nasal e imediatamente após fazem um exame de ressonância magnética funcional do cérebro.

Os resultados revelam um aumento quase que imediato de ativação de regiões do cérebro conhecidas por controlar a comunicação e o desempenho social envolvidos no autismo, como pode ser visto na imagem acima.
Um dos pesquisadores disse que as regiões ativadas, estão envolvidas em várias rotas de processamento de informação social, como: ver, ouvir e processar informações relevante ao entendimento de outras pessoas.

Para mais informações:

http://www.huffingtonpost.co.uk/2012/05/21/health-oxytocin-improves-autism-brain-function_n_1532390.html

http://www.sciencedaily.com/releases/2012/05/120519213236.htm

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/984801-hormonio-cerebral-e-testado-para-tratar-pessoa-com-autismo.shtml

http://psychcentral.com/lib/2008/about-oxytocin/all/1/

http://www.sagelearningcenter.com/images/articles/WhatIsAuditory.pdf



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Distúrbios Comportamentais e Intolerância a Fenóis:

Por Claudia Marcelino:

Distúrbios comportamentais podem estar intimamente ligados à intolerâncias alimentares e em muitos casos, esta intolerância pode ser a fenóis.
Muitas vezes podemos fazer um controle natural do comportamento de pessoas com o espectro autista, TDA ou TDAH, fazendo uma avaliação cuidadosa e criteriosa relacionando o consumo alimentar aos sintomas que se apresentam, evitando desta forma o uso de medicamentos e calmantes com perigosos efeitos colaterais.


Imagem retirada daqui.


No meu post sobre "Alergia Cerebral e Autismo" vocês poderão ver que fenóis se tornaram meu maior pesadelo numa fase de vida de meu filho. E sim, como a nossa vida e nossa saúde se constrói a cada dia, podemos desenvolver intolerância à fenóis a qualquer momento e também nos livrarmos dela.
Estima-se que 80% de pessoas no espectro autista possa em algum momento, ter intolerância a fenóis e salicilatos.

Fenóis estão presentes em corantes alimentares, sabores e conservantes artificiais.
Mas o grande problema é que alimentos naturais e considerados saudáveis são muito ricos em fenóis como frutas e legumes bem coloridos, ricos em bioflavonóides e em carotenóides (caroteno, luteína, licopeno, xantofila, e zeaxantina). O que torna a situação bem difícil para os que possuem esta intolerância.
Quase todos os alimentos têm fenóis, mas em quantidades variáveis.
Os salicilatos são um subgrupo de fenóis.
Salicilato é um grupo de substâncias químicas relacionadas com a aspirina. Existem vários tipos de salicilato de plantas, que fazem como um pesticida natural para se proteger. Alimentos ricos em salicilatos naturais são tomates, maçãs, laranjas, amendoim, cacau (chocolate), uvas vermelhas, café, todas as frutas, pimentas, chás, frutas silvestres... para citar alguns.

A intolerância à fenóis e salicilatos está intimamente relacionada a deficiência de sulfato, à deficiência da enzima PST e à fase II de desintoxicação do fígado.
Os compostos lipossolúveis dependem das duas fases de desintoxicação. Na fase I eles são inicialmente biotransformados em fenóis pela introdução de um grupo hidroxila (-OH) e, o fenol formado, é então conjugado por uma reação da fase II (sulfatação) em fenil sulfato.
Não havendo sulfato disponível para esta função, há um acúmulo de fenóis no organismo que pioram quando mais fenóis são ingeridos, pois fenóis e aminas também são produzidos em nosso organismo por bactérias, leveduras e fungos.

Os sintomas de deficiência de sulfato e consequente problemas com fenóis / salicilatos, são:

- Orelhas e bochechas avermelhadas,
- Hiperatividade motora e vocal,
- Riso inapropriado,
- Suor noturno,
- Olheiras,
- Sede excessiva,
- Eczemas,
- Rubor facial,
- Dificuldade para dormir,
- Sono perturbado e roupa de cama com odor forte,
- Algumas pessoas tem fortes problemas de regulação das emoções.
- Meu filho também apresentava incontinência urinária ou constante irritação e manipulação da genitália.

As reações a fenóis em meu filho se manifestavam como:

Tremor nas mãos, batimento cardíaco acelerado, flushings no rosto, dilatação da pupila, constante estado de alerta, agitação motora (movimentação constante, flappings e steemings) e vocal com ecolalia repetitiva, desconcentração, auto-agressão, alteração bipolar (hora chorando, hora risadas histéricas) com duração de 7 a 10 dias. 


Estas bolinhas no antebraço melhoraram muito com medicação anti acne, mas agravam um pouco sempre que há reação ao fenol:





A artista autista, Donna Williams, relata em seus textos que salicilatos a transformavam em uma besta-fera.
Muitas de nós mães de autistas podemos nos identificar com seus relatos ao vermos nossas crianças algumas vezes totalmente descompensadas.

Dr. Rosemary Waring verificou que a maioria das crianças do espectro do autismo tem baixos níveis de sulfato devido a uma deficiência na via PST. Esta via de desintoxicação processa compostos fenólicos, incluindo salicilatos (os salicilatos são um subconjunto de fenóis), corantes alimentares artificiais, aromatizantes artificiais, alguns conservantes e hormônios. Além de requerer a PST, a pesquisadora encontrou que os salicilatos ainda suprimem a atividade de qualquer enzima PST presente, tornando as coisas piores. Corantes alimentares também têm sido mostrados que inibem a enzima PST.


Há duas maneiras que você pode aliviar a carga tóxica na via PST:

Uma delas é a redução da quantidade de fenóis e toxinas que entram no corpo. Esta é a base do Programa Feingold.
Então você deve eliminar o consumo de alimentos e substâncias ricos em fenóis:
Retire as comidas amarelas e vermelhas (temperos como: páprica, cúrcuma, coloral e frutas como: manga, mamão, uvas, todo tipo de berrie: morangos, mirtilos, açaí, framboesa, cereja...), cítricos, chocolate, chás, milho, banana, remédios com ácido salicílico, toda fonte de corante artificial.
Muitas vezes o consumo de enzimas próprias para a metabolização de fenóis, ajuda no consumo desses alimentos. Outras vezes, além de fazer uma dieta restrita, ainda deve-se tomar estas enzimas. Os casos são muito variáveis.
Estas enzimas são a No-Phenol da Houston Pharmaceuticals e a Carbdigest da Enzymedica.

Outra opção é aumentar o processo de desintoxicação e fornecer mais sulfato. Isso aumenta a quantidade de toxinas processadas e excretadas. Íons de sulfato podem não ser bem absorvidos pelo intestino, então simplesmente dar mais enxofre diretamente por ingestão de suplementos pode não produzir resultados satisfatórios. 
A forma mais eficaz de aumentar os níveis de sulfato no corpo é através do sulfato de magnésio com banhos ou o uso de cremes.


Oriente-se a respeito com um médico qualificado.
Certamente este déficit de sulfato e intolerância a fenóis pode ser a resposta para muitos dos distúrbios comportamentais de seu filho e eliminar ou administrar a causa, certamente trará mais benefícios do que tratar sintomas.


Mais informações:

http://healingautismandadhd.wordpress.com/diet-2/phenolssalicylates/

http://www.enzymestuff.com/epsomsalts.htm

http://www.feingold.org/

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Comorbidades Médicas associadas ao Autismo

Por Claudia Marcelino.

Eu estou a 21 anos nessa estrada do autismo.
Quando os médicos começaram a suspeitar do autismo de meu filho, passaram uma série de exames para descartar outras possibilidades como: surdez, danos neurológicos ou cerebrais, erros inatos do metabolismo, alguma condição genética ... Como na maioria absoluta dos casos, não havia nada de errado em seus exames e o diagnóstico de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, foi dado aos 5 anos de idade.
A partir daí eu tive a impressão que tinha parido o filho do Super Homem porque a sua única condição passou a ser o autismo.
Seu médico passou a ser um psiquiatra e quando chegava no consultório reclamando que meu filho não parava, urrava como um leão, urinava na cama todas as noites, tinha episódios de diarreia, se auto agredia, entre várias outras coisas, tudo o que ouvia era: AUTISMO É ASSIM MESMO!
Como assim?????????
Não era possível que eu tinha que me conformar que meu filho não teria jeito!
Nunca me solicitavam um simples exame de sangue, urina ou fezes, nunca!
Um interesse em tentar avaliar o que possivelmente poderia estar provocando aqueles sintomas que não fosse o autismo, então era pedir demais!
Seu tratamento médico por mais de 10 anos consistiu em trocas de medicação psiquiátrica e nada mais.

Foi somente aos 19 anos por total insistência e pesquisa minha, que descobri que meu filho apresentava alergia alimentar múltipla e severa que agravava absurdamente seu quadro de autismo.

Além da alergia alimentar, meu filho apresenta várias das condições abaixo que exemplificarei com um * ao lado.

Por isso, ao ler esta mensagem escrita pelo Dr. Kartzinel em seu blog, não poderia deixar de repassá-la e alertar aos pais para investigarem estas condições em seus filhos. Eles merecem gozar de uma vida saudável como qualquer um, além de ter uma grande melhora na sua qualidade de vida condicionada ao autismo.



Tradução Claudia Marcelino.

Sempre que eu considero uma abordagem médica para o tratamento de crianças com autismo, acabo ofendendo um contingente determinado de pessoas. Eles olham para o autismo como um presente ou até mesmo como uma parte daquilo que os tornam únicos e chegam a me pedir para parar o que implica que eles não tem uma "doença" que deve ser "curada".
Eu certamente não pretendo dizer que eles são menores do que qualquer um de qualquer forma, o que é a mais pura verdade! Em vez disso, eu simplesmente quero dizer que eles podem ter distúrbios médicos diagnosticáveis e tratáveis, se abordados, podem melhorar muito sua qualidade de vida.

Eu não acho que eu iria receber qualquer argumento sobre o tratamento de uma criança com autismo, que tem um braço quebrado. A criança tem um braço quebrado, e nada mais importa. O braço tem que ser "consertado" e fundido. Por que eu consideraria não tratar uma criança com autismo que tenha qualquer outra doença médica?
Na minha experiência clínica vejo que crianças com autismo têm muitos problemas médicos que necessitam serem abordados. Aqui está uma lista resumida dos problemas médicos tratáveis ​​que eu considero e trato na minha clínica.
A história dos pais, o exame físico, e os resultados de laboratório ajudarão a determinar como eu posso planejar um plano de tratamento para resolver estes problemas médicos.

Problemas intestinais:

• Doença Inflamatória Intestinal
• Refluxo gastro esofágico
• Gastrite
• Disbiose *
• Intestino permeável *
• Má absorção / má digestão *
• Constipação
• Diarreia
• Dor abdominal crônica
• Inchaço
• Excesso de produção de gás
• motilidade intestinal anormal

Problemas Imunológicos:

• Doenças recorrentes
• Alergias alimentares e ambientais*
• As infecções virais crônicas
• Inflamação crônica*
• Auto-Imunidade
• Deficiências do sistema imunitário

Problemas hematológicas (problemas com o sangue):

• Anemia
• Contagem baixa de glóbulos brancos
• Contagem elevada de plaquetas ou Plaquetopenia
• Glóbulos vermelhos pequenos ou grandes

Carências Nutricionais:

• Níveis anormais de vitaminas*
• Níveis anormais de minerais*
• Níveis anormais de ácidos graxos Omega 3*
• Deficiência de Proteína

Distúrbios Metabólicos:

• Funções do fígado elevadas
• Amônia elevada
• Ácido lático elevado
• Anormalidades de metilação
• Defeitos de dopamina
• Defeitos de sulfatação*
• Alterações de Purina
• Déficits Serotonina
• Déficits de Melatonina*
• Desintoxicação prejudicada*
• Mau funcionamento mitocondrial*

Doenças endócrinas:

• Painéis anormais da tireóide
• Produção de cortisol anormal
• Produção de testosterona anormal
• Produção anormal do hormônio do crescimento
• Utilização anormal da glicose

Distúrbios Neurológicos:

• Hipotonia
• Convulsões
• Disfunção Sensorial*
• Irregularidades de perfusão cerebral
• Alterações do ciclo sono
• Estereotipias (Stimming)*
• Incapacidades Visuais
• Deficiências Auditivas
• Dores de cabeça e enxaquecas

Eu descobri que muitos dos sintomas de autismo como uma criança não dormir durante a noite pode ser totalmente eliminado quando a intervenção terapêutica é iniciada direito. Estas crianças não merecem ser saudáveis? Claro que sim.
Haverão aqueles que, suponho, irão discordar com a própria noção de considerar um hemograma de uma criança que por acaso tem autismo.
Winnie the Pooh descreve essas pessoas muito bem: "Por ser um urso do cérebro muito pequeno, palavras longas me incomodam."

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Autismo e Distúrbios do Sono

Este é um assunto que aflige a muitas famílias e a anos passamos por esta situação em nossa casa.
Meu filho dormia muito bem até os 4 anos, quando de um momento para o outro começou a acordar de madrugada e voltar a dormir manhã. Com o tempo as manifestações foram se modificando: dormindo quase de manhã, ou simplesmente não dormindo hora alguma.

Tentamos de tudo e todas as soluções naturais por aqui até hoje tem sido cíclicas: funcionam por determinado período, aí temos que reformular a abordagem de combinações.
Sim, com meu filho só funciona um conjunto de intervenções e suplementos.
Tem alguns bons estudos mostrando a eficácia da melatonina para o sono de autistas, aqui, só ela, em qualquer quantidade, não faz efeito.
A intervenção dietética nos ajudou em diversos aspectos, mas não solucionou e nem melhorou a situação do sono. A medicação alopática foi nossa aliada por anos: 6 gotinhas de neuleptil + 1 comprimido de fenergan, o colocavam a nocaute em 1 hora.
Até que num descuido ele tomou um vidro inteiro do neuroléptico que duraria seguramente uns 5 meses o que quase o levou a morte a alguns meses atrás.
Foi uma situação realmente assustadora, tão assustadora que jurei que jamais ele voltaria a tomar estes medicamentos novamente.

Hoje ele está tomando uma conjugação de melatonina + skullcap (erva que promove relaxamento muscular e alívio da ansiedade) + inositol na hora de ir para a cama.
Já descobri que não posso dar ervas relaxantes durante o dia, pois senão a dosagem da noite perde efeito.
A atividade física moderada também ajuda, salientando bem o moderada. Isto no seu caso significa caminhadas diárias para a escola e as terapias. Atividades físicas mais intensas provocam o não relaxamento e a falta de sono, justamente o que queremos combater.
Demorou muito para eu descobrir isso, achava que quanto mais atividade, melhor. Isto nos custou muitas noites de sono.

Esta postagem do Dr. Kartzinel é excelente, mostra diversas abordagens que podem funcionar muito bem.
O que gostei é que há uma programação a seguir, resolvendo causas mais óbvias e comuns e os alopáticos são deixados para último caso.

Meu filho é do tipo que não consegue desligar para dormir, pode ficar acordado por 36 horas direto, embora não seja frequente.
Assegurar uma boa noite de sono é fundamental para a saúde da criança e de toda a sua família.


http://mendingautism.com/articles/lets-talk-about-sleep/#more-167

Tradução: Claudia Marcelino.


A maioria das crianças que vejo na minha clínica inicialmente estão tendo enormes dificuldades com o sono. Esses distúrbios do sono podem se manifestar de muitas maneiras diferentes:
• Não é capaz de desligar ou se concentrar para dormir;
• Não consegue dormir cedo, no horário adequado;
• Dorme, inicia dormindo bem, mas acorda no meio da noite e está pronta para as próximas 18 horas;
• Tiram cochilos em torno de 20 minutos.

Algumas das crianças que eu vejo de fato desenvolvem padrões de sono normais e entre 1 e 2 anos de idade esses padrões desmoronam. Os distúrbios podem acontecer de forma abrupta ou ao longo do tempo. Geralmente os pais se adaptam e desenvolvem algumas maneiras muito peculiares de lidar com isso ... só para dormir um pouco!

Interrupções do sono podem se manifestar de diferentes formas, bem como, como a criança acorda:

• Em pânico completo
• Gargalhando e rindo
• Chorando e soluçando
• Saindo gritando
• Com certas necessidades, como as luzes acesas, a TV, o que requer um pai dormindo perto deles
• Com movimento do intestino e necessitando de banheiro
• Feliz por estar acordado (geralmente para o desespero dos pais)
• Alguns pais têm que dar uma volta de carro para a criança voltar a dormir!

Nós certamente precisamos descobrir a causa ou as causas dos problemas de sono. Eu costumo começar com o intestino.
As questões a abordar são:
• Constipação ou diarreia;
• Mudar a dieta: começar dieta sem caseína (sem leite), seguido de dieta sem glúten.

Foi publicado, na verdade a mais de 20 anos, que há um subgrupo de crianças e adultos com autismo e disfunções de melatonina  no cérebro. A melatonina é muito importante para iniciar o sono. Então, essa é outra área que abordamos em nossa clínica .... acabamos adicionando um pouco de melatonina a cada noite!

Para as crianças que têm problemas de iniciar o sono, geralmente começamos em nossa clínica com:

• Melatonina: ½ mg a 3 mg antes de se deitar
• 5 hidroxitriptofano (5HTP) 50 a 100mg. Eu descobri que este é especialmente útil quando tomado com vitamina B6 e magnésio
• Os suplementos de cálcio e magnésio
• Vitamina D3 dada com o jantar, geralmente cerca de 1000UI
• GABA 125 mg com jantar
• Vitamina B6 50mg com Niacinamida 500mg
• Inositol 100mg ao deitar (ajuda com o sono REM)
• As Ervas como a valeriana, e chá de camomila podem ser úteis, mas a maioria das crianças não vai tomá-las por não serem saborosas.

Se essas intervenções não forem bem sucedidas, eu posso adicionar o Benadryl ou o ibuprofeno durante a noite.
Isso ajuda com possíveis fontes alérgicas, bem como dor e inflamação.

Agora, para as crianças realmente difíceis, em que nenhuma das intervenções acima mostrou-se útil, medicamentos de prescrição podem ser necessários. O seu médico terá de ser envolvido aqui.

• A naltrexona (dose baixa): creme transdérmico ou oral, dar 2-4 mg ao deitar
• Hydroxyzine: esta é uma medicação antialérgica que pode ser útil
• Clonidina começando com ¼ a cada noite, mas pode ter que chegar a dosagem completa
• Trazadone 0.75mg-1mg/a cada quilo de peso corporal na hora de dormir
• Risperidona 0.25mg-1mg ao deitar
• Buspirona 2.5mg-5mg dividindo-a em duas vezes por dia

Medicamentos anti-convulsivantes: Estes podem realmente ajudar quando os padrões de ondas cerebrais anormais são vistos em EEG. Lamictal e Depakote realmente ajudam com o sono em crianças com transtornos convulsivos possíveis.

Tratamentos de terapia hiperbárica de oxigênio: Muitas crianças dormem incrivelmente bem com esta intervenção, de fato, parece ser uma das primeiras mudanças observadas.

Novamente, gostaria de salientar a importância de começar com a função intestinal, a fim de ajudar com problemas de sono.

E essa é a minha abordagem para ... dormir.




domingo, 20 de maio de 2012

Autoimunidade Cerebral ao Folato no Autismo





Esta postagem é baseada numa postagem do blog do Dr. Bradstreet.
Por: Claudia Marcelino.

As descobertas a cerca da autoimunidade ao folato no cérebro de autistas é surpreendente.
Mais de 50% dos seus pacientes apresentam marcadores de autoimunidade ao folato e isto é realmente surpreendente!
1º porque é uma situação que se diagnosticada precocemente, pode ser tratada e os sintomas de autismo serem completamente normalizados.
2º Porque é impossível diferenciar um paciente com autismo clássico de um paciente com resposta autoimune ao folato. Já pensaram que isto pode significar na cura de mais de 50% de pequeninos com diagnóstico de autismo ou transtorno do desenvolvimento?

Este assunto já foi tratado aqui no blog e você pode ler a respeito aqui.

Outra descoberta surpreendente destes estudos é a relação da autoimunidade ao folato e uma dieta rica em leite. 


A caseína, proteína do leite animal, faz reação cruzada com os receptores de folato e uma dieta livre de caseína, conforme a dieta SGSC preconizada para autistas, pode beneficiar enormemente estas crianças com diagnóstico de autismo, cujos pais sequer desconfiam da sua condição autoimune.
Infelizmente, muitos médicos continuam a ignorar os benefícios que uma intervenção nutricional pode proporcionar aos portadores do transtorno do espectro autista.

Mais sobre a relação e benefícios da dieta nestes links:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19282368

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2715943/

http://imfar.confex.com/imfar/2010/webprogram/Paper7038.html

Dr. Bradstreet:


Temos avaliado a auto-imunidade cerebral aos receptores de folato e os seus mecanismos de transporte em crianças com autismo. Enquanto os resultados são iniciais e não totalmente tabulados - somos surpreendidos pela freqüência de casos positivos. Certamente são mais de 50% dos casos.

Tradicionalmente, os sintomas da deficiência de folato cerebral apresentam-se como: retardo mental, retardo motor e alterações da marcha, movimentos anormais, tônus motor baixo, atrasos de desenvolvimento, problemas de fala, convulsões e muitas vezes uma cabeça pequena (microcefalia). Estes sintomas se cruzam com muitos dos sintomas observados nos casos de distúrbios do espectro do autismo (ASD), e particularmente em casos de Síndrome de Rett (RS é um tipo de ASD) são quase os mesmos, podendo facilmente serem confundidos.

Nós não usamos a autoimunidade ao folato como um biomarcador de rotina ainda, mas nos casos refratários ou complicados, é uma pista importante que é largamente ignorada no autismo.

Ao contrário da tradicional descrição da deficiência de folato cerebral, esses casos de auto-imunidade aos receptores de folato estão presentes com uma variabilidade significativa desde uma profunda deficiência a apenas ligeiras alterações.

O tratamento consiste no uso de 1-2mg/Kg/dia de peso corporal de ácido folínico - geralmente como o medicamento de prescrição: Leucovorin ®. No entanto, isso nem sempre resulta em melhora por si só, e especula-se que alguma forma de tratamento imunológico possa ser necessário também. Em apoio a este conceito, os pesquisadores descobriram que uma dieta livre de leite diminui a expressão da auto-imunidade (torna-se menos um problema). Isto pode explicar parcialmente porque dietas livres de lácteos são úteis para algumas crianças com ASD.

Certamente, esta é uma importante área de pesquisa emergente que requer mais investigação para compreendermos plenamente. Nesse meio tempo, continuo a achar que é um biomarcador útil em um importante subgrupo de crianças com ASD.

Aqui estão alguns links para saber mais sobre auto-imunidade cerebral ao folato.

http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa043160

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-8749.2008.02053.x/pdf

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1469-8749.2008.03185.x/pdf

http://repositorio.chporto.pt/bitstream/10400.16/433/1/Doc.5.pdf
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